Donos de pequenos negócios dos setores de panificação e automotivo tiveram a oportunidade conhecer de perto as estratégias de sucesso de empresas-âncoras dos dois segmentos. A troca ocorreu durante mais uma edição do Conexões Corporativas, evento realizado nesta quarta-feira (8), na sede do Sebrae Pernambuco, no Recife, e que reuniu representantes de companhias como a Grande Moinho Cearense e a Ekko Parts. A ação marcou o lançamento do projeto de Encadeamento Produtivo, estratégia que posiciona o Sebrae como indutor de desenvolvimento econômico no estado.
Um dos principais objetivos da iniciativa é compartilhar conhecimentos que resultem em novas oportunidades de mercado. O primeiro momento foi voltado ao setor de panificação. Estiveram presentes donos de padarias, casas de bolo e fabricantes de biscoitos em uma conversa com Sebastian Pedro, gerente regional PE/PB/RN da Grande Moinho Cearense.
É fundamental essa troca, até para alavancar nossas vendas. Sem os pequenos negócios, os grandes empreendimentos não sobrevivem. Por isso, é tão importante que esses empresários estejam em constante aprendizado, aprimorando seus processos, tendo uma boa gestão de seus estoques, da produção e da contabilidade. Isso fortalece o panificador e, automaticamente, fortalece a indústria, fazendo com que esse jogo de ganha-ganha continue
Sebastian Pedro, da Grande Moinho Cearense.
Em Pernambuco, o setor de panificação reúne em torno de 10,7 mil empresas ativas, todas enquadradas como micro e pequenas empresas. O perfil é pulverizado: 61,8% são MEIs, 34,8% microempresas e apenas 3,4% são empresas de pequeno porte. Mais da metade está concentrada na Região Metropolitana do Recife, com presença também em polos como Caruaru e municípios da Zona da Mata.
“Padarias e estabelecimentos similares são empresas que necessitam de capacitação constante. São negócios que precisam vencer a barreira da produtividade e da gestão. Geralmente, o dono faz tudo nesses locais, e isso precisa mudar. Superar esses obstáculos e profissionalizar a operação é o primeiro passo para crescer e conquistar o mercado”, explica Francisco Luna, presidente do Sindipão e proprietário da Padaria Vila Amizade, no Recife – empreendimento com nove anos de atuação, que começou pequeno e atualmente conta com duas lojas e 50 funcionários.
Força automotiva
O segundo momento teve como foco o setor de reparação automotiva, com a participação de Eriberto Marc, CEO da Ekko Parts, distribuidora de peças e acessórios para veículos, além de proprietários de oficinas e prestadores de serviços de lanternagem, pintura e manutenção automotiva. Além da apresentação do encadeamento produtivo para o ecossistema automotivo local, durante o evento também foi lançado o programa Oficina Legal 2026, do qual a Ekko é uma das principais parceiras.
Conhecemos esse projeto em 2025, nos identificamos pela seriedade e decidimos entrar como parceiros. Vemos nele algo essencial para o futuro do nosso setor, com o fortalecimento e a qualificação das oficinas da nossa região. Uma oficina preparada para o futuro, com processos bem definidos e organização, pode se tornar muito lucrativa e impulsionar todos os atores dessa importante cadeia
Eriberto Marc, CEO da Ekko Parts
Pernambuco conta com aproximadamente 13,5 mil empresas ativas de reparação automotiva, igualmente caracterizadas pela predominância de micro e pequenos negócios. A atividade está presente em todas as regiões do estado, com forte atuação na Região Metropolitana do Recife e polos importantes no interior, como Caruaru, Garanhuns, Petrolina e municípios da Zona da Mata.
Com um segmento formado majoritariamente por pequenos negócios, os desafios se tornam ainda maiores, sobretudo os relacionados à gestão, produtividade e competitividade. Durante a conversa, foram apontadas estratégias para aprimorar a maturidade das empresas, além da importância da qualificação técnica, da inovação e da integração entre todos os atores da cadeia de fornecimento.

Elo essencial
O Sebrae atua como articulador e executor do projeto, conduzindo toda a jornada de desenvolvimento dos pequenos negócios participantes. A instituição oferece consultorias especializadas, capacitações e soluções em gestão, inovação e acesso a mercados, com o objetivo de elevar o nível de competitividade das empresas e ampliar sua inserção em cadeias produtivas estruturadas.
O projeto de encadeamento produtivo do Sebrae busca aproximar pequenos negócios de grandes empresas dos setores em que atuam, proporcionando um ambiente favorável para todos os envolvidos, com geração de oportunidades de fornecimento, transferência de conhecimento e melhoria dos processos produtivos.
A ideia do encadeamento produtivo é justamente essa: quando muitos não enxergam conexão entre o grande e o pequeno, nós enxergamos. Ganham as grandes empresas, que passam a vender seus insumos de maneira mais contínua, e ganha o pequeno, que ajusta seus processos, melhora sua eficiência e aprimora sua gestão
Henrique Malaquias, gestor estadual de Indústria do Sebrae/PE.
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