O Vale do São Francisco está ganhando uma nova alternativa para diversificar a produção e ampliar a renda dos empreendedores do campo. O cultivo do cacau vem sendo apontado como uma atividade promissora para a região, inclusive em sistemas consorciados com culturas já consolidadas, como a do coco. Para estimular a atividade e discutir caminhos para a estruturação de uma cadeia produtiva local sólida e sustentável, o Sebrae Pernambuco realiza, no dia 18 de setembro, em Petrolina, a primeira edição do Cacau Day.
O evento é gratuito e reunirá especialistas, produtores rurais, acadêmicos e representantes de instituições interessadas nas possibilidades de desenvolvimento da cacauicultura no Vale do São Francisco. A expectativa é reunir cerca de 300 participantes no auditório do Senai Petrolina. As inscrições podem ser feitas na Loja do Sebrae Pernambuco.
A proposta do encontro é provocar os agricultores a conhecerem melhor a cultura, seus desafios, possibilidades de manejo e potencial de mercado. Embora Pernambuco ainda não tenha uma produção expressiva de cacau, o fruto já vem sendo cultivado no Vale do São Francisco e desperta o interesse de empresas que estão investindo na atividade.
ESTRATÉGIA
O Cacau Day faz parte da estratégia do Sebrae Pernambuco de estimular a diversificação e a profissionalização dos pequenos negócios rurais. O objetivo é atuar junto aos produtores desde a etapa de conhecimento e avaliação da viabilidade da cultura até questões relacionadas à gestão, planejamento, acesso a mercados, agregação de valor e organização da cadeia produtiva.
Um dos principais desafios é adaptar uma cultura tradicionalmente associada a regiões de maior volume de chuvas, como sul da Bahia e áreas do Pará, às condições da agricultura irrigada do São Francisco. Nesse cenário, o cultivo consorciado aparece como uma das possibilidades. Como o cacaueiro necessita de sombra para seu desenvolvimento, a proposta é a integração com culturas já presentes no território, especialmente o coco.
Já existe uma estrutura com agricultores familiares que fornecem coco para grandes empresas da região. A ideia é que eles possam incrementar a produção, ter uma outra alternativa. O cacau é uma commodity e pode ser armazenado por um longo período
Gledson Mattos, especialista em Agronegócio do Sebrae/PE.
Segundo o especialista, a possibilidade de armazenamento das amêndoas também pode favorecer estratégias de comercialização e agregação de valor, permitindo ao produtor escolher momentos mais adequados para negociar sua produção.
AGRICULTURA IRRIGADA
A diversificação ganha relevância diante do cenário enfrentado por produtores de culturas tradicionais da região, como o coco. Muitos empreendedores reclamam da volatilidade do mercado, o que impacta na lucratividade. O consórcio com o cacau pode representar uma alternativa para complementar a renda e aproveitar melhor a estrutura produtiva já existente.
Pesquisas também vêm apontando caminhos para a adaptação da cultura ao território. Cerca de 20 variedades de cacau estão sendo monitoradas na região por instituições de pesquisa, entre elas a Embrapa, e apresentam resultados considerados promissores.“Você sai um pouco das culturas tradicionais de manga e uva e passa a ter uma opção de valor agregado bastante interessante”, explica Gledson.
Outro fator que amplia as perspectivas é o mercado. As amêndoas de cacau são utilizadas principalmente por grandes agroindústrias que processam o chocolate, criando possibilidades de comercialização para produtores que consigam alcançar padrões de qualidade, por meio da busca por certificações, e escala.
Serviço
O quê: 1º Cacau Day
Quando: 18 de setembro, às 8h.
Onde: Auditório do Senai Petrolina – Petrolina/PE
Inscrições: Gratuitas, pela Loja Virtual do Sebrae Pernambuco

