Antes de criar uma startup que ajuda governos e empresas a combaterem a violência contra a mulher, Simony Sampaio conheceu de perto a vulnerabilidade de quem depende do transporte público. Filha de uma cobradora de ônibus, cresceu em Dois Unidos, na periferia do Recife, acompanhando a mãe sair de casa para jornadas de até 12 horas dentro da frota urbana. O medo de que algo acontecesse com ela fazia parte da rotina.
Anos mais tarde, já estudante da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Simony percebeu que aquela insegurança não era apenas uma preocupação familiar. Durante um estágio em uma administradora de frotas, observou que casos de importunação sexual sequer eram registrados entre as principais ocorrências acompanhadas pela empresa.
A percepção ganhou outra dimensão quando, ao chegar à universidade, encontrou um protesto após uma estudante ser estuprada depois de descer de um ônibus circular. A partir dali, começou uma pesquisa sobre a relação entre violência de gênero, mobilidade urbana e permanência de mulheres no ensino superior. O trabalho rendeu artigos científicos, reconhecimentos e oportunidades de inovação até dar origem, em 2018, à Super NINA.
A trajetória de Simony é uma das diferentes formas pelas quais nascem os chamados negócios de impacto: empreendimentos que buscam enfrentar problemas sociais ou ambientais e, ao mesmo tempo, desenvolvem modelos capazes de gerar receita e sustentar a própria operação. No Brasil, o setor vem ganhando espaço e sendo incorporado a políticas públicas e iniciativas de investimento.
Em Pernambuco, a Super NINA, a Manifesto Ambiental e a Urd Atelier são exemplos de empresas que trilharam caminhos diferentes para transformar problemas sociais e ambientais em soluções capazes de gerar impacto. Com atuações que passam pela tecnologia, sustentabilidade e moda, os três negócios compartilham também o desafio de construir modelos financeiramente sustentáveis, capazes de crescer sem perder de vista o propósito que lhes deu origem.

