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Artesã de Bezerros faz sucesso com técnica inovadora que mistura modelagem em biscuit com a alma do barro

Trabalho vem sendo reconhecido com prêmios e participações em eventos de arte. Ela foi uma das vencedoras do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2026
Por Pedro Romero
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Uma das características de um bom empreendedor é a capacidade de lançar um olhar diferente sobre o que já se tornou comum. Foi justamente isso que a artesã Maria José Costa fez sobre a modelagem em biscuit: a partir de objetos recicláveis, ela cria esculturas que unem a porcelana fria à estética do barro. As peças da Olaria de Biscuit, marca criada por ela em Bezerros, no Agreste pernambucano, retratam personagens e aspectos ligados à cultura popular e abrem novas perspectivas para a técnica de modelagem em biscuit.

“Na porcelana fria, encontrei uma maneira nova de trazer a estética da cerâmica para um material diferente, explorando possibilidades. Vejo um novo conceito de escultura em porcelana fria com ‘a alma do barro’, e ao criar esse novo conceito, quero reconhecer e valorizar a importância da inovação sem desprezar a tradição”, descreve Maria José.

A principal inspiração da artesã vem da cultura popular pernambucana e de suas manifestações, como festividades, música, poesia, personagens, religiosidade, paisagens e histórias.

Gosto de pesquisar e mergulhar nesses elementos para transformá-los em esculturas. Meu objetivo é convidar as pessoas a fazer uma imersão nessa cultura através da arte.

Maria José Costa, artesã.

Entre as coleções mais recentes estão “Sou de Pernambuco”, na qual Maria José representa personagens como o caboclo de lança e a dama do paço, e “Entre Flores e Cactos”, com esculturas inspiradas nos cactos xique-xique e coroa de frade.

Criativas, as peças de Maria José também seguem o conceito de sustentabilidade. “Trabalho com o conceito de design por restrição, em que as limitações dos materiais também estimulam a criatividade. Um exemplo é a utilização de garrafas de vidro descartadas como parte de esculturas, transformando aquilo que seria resíduo em matéria-prima e elemento da obra”. A artesã também utiliza materiais reaproveitados e embalagens produzidas com feltro reciclado. “Para mim, reciclar, além de ser uma questão ambiental, é também uma possibilidade de criar novas formas de arte e incentivar um olhar mais consciente sobre aquilo que descartamos”.

Os esforços e o talento da artesã Maria José Costa estão sendo reconhecidos com prêmios e participações em eventos ligados à arte. Ela ficou em terceiro lugar do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2026, na categoria Produtora Rural ou Artesã, na premiação estadual. Também foi selecionada para participar do Festival Nacional de Artesanato e Cultura do Ceará (FENACCE), realizado de 4 a 7 de setembro, em Fortaleza.

EVOLUÇÃO

A relação de Maria José com o artesanato teve início ainda na infância, com massa de modelar. O primeiro contato com a técnica do biscuit aconteceu em 2011, quando ela fez as peças de decoração e brindes para o aniversário do filho Miguel. Os elogios dos amigos viraram um negócio e a carteira de artesã de Maria José foi conquistada em 2018.

“O Sebrae tem um papel muito importante e fundamental na minha trajetória, na minha transformação e evolução como artesã e empreendedora”, destaca. Segundo a artesã, a virada de chave veio neste ano de 2026, quando ela participou da trilha Entre Elas, voltada para o empreendedorismo feminino, e do Programa Pernambuco Artesão. “Foi a partir dessa experiência que surgiu a marca Olaria de Biscuit e o novo conceito de esculturas em porcelana fria com estética inspirada no barro. Costumo dizer que um programa fortaleceu a empreendedora e o outro alavancou a artesã.”