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Biodigestores transformam resíduos da suinocultura em biogás e reduzem custos para criadores do Agreste

Equipamentos instalados em pequenas propriedades transformam resíduos da suinocultura em energia e fertilizante. Com investimento de mais de R$ 320 mil, projeto beneficia 20 produtores
Por Pedro Romero
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Moradora do Sítio Una do Simão, em São Bento do Una, a suinocultora Cleidiane Souza de Almeida está utilizando, em sua casa, o gás gerado por um biodigestor: abastecida com resíduos da criação de suínos, a tecnologia tem garantido economia de gás de cozinha. Além disso, os resíduos do processo de biodigestão são aplicados como adubo nas plantações de palma e milho. Em média, um biodigestor pode produzir o equivalente a entre dois e quatro botijões de gás por mês.

Na suinocultura, o biodigestor transforma os dejetos dos animais em biogás e fertilizante natural, reduzindo gastos com energia, adubo e manejo ambiental. A implantação dessa tecnologia faz parte do projeto “Fortalecimento da suinocultura sustentável: inovação e valor na produção do Agreste Meridional”, desenvolvido pelo Sebrae/PE, em parceria com a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe).

Cleidiane, que começou a criar suínos em 2020 e hoje tem dez matrizes e 40 porcos para engorda, já percebeu melhorias na produção.

Tive uma economia muito grande com o gás de cozinha porque agora usamos o gás do biodigestor. Para isso, todos os dias eu coloco dois ou três baldes de dejetos dos animais para abastecer o equipamento. E depois ainda uso o que sobra do biodigestor como adubo na plantação.

Além dela, outros 19 pequenos produtores estão sendo beneficiados em São Bento do Una, Lajedo, Canhotinho e Tupanatinga, com investimentos da ordem de R$ 327 mil.

Criador no Sítio Lagoa de Baixo, no município de Tupanatinga, o produtor Jakelson do Nascimento Silva cria suínos há sete anos e também comemora os benefícios do biodigestor. “Além de suínos, eu também crio vacas e uso os dejetos dos dois rebanhos no equipamento. E eu economizo utilizando o gás do biodigestor, que já sai direto para a cozinha”, conta Jakelson, que cria as matrizes e vende os porquinhos para recria.

SUINOCULTURA SUSTENTÁVEL

As atividades do projeto começaram em junho de 2025 e seguem até maio deste ano. Durante esse período, os suinocultores tiveram acompanhamento técnico nas suas propriedades para a melhoria da produção, além de consultoria para implantação dos biodigestores.

Os produtores também visitaram a 9ª Feira de Avicultura e Suinocultura do Nordeste, que foi realizada em setembro do ano passado, em Caruaru. A iniciativa inclui ainda capacitação prática para garantir o uso correto e o máximo aproveitamento da tecnologia.

Lucas Araújo, especialista em Agronegócios do Sebrae/PE, explica que, além de gerar biogás e adubo, o biodigestor ainda permite o tratamento adequado dos dejetos produzidos pelos suínos, evitando a contaminação do solo e da água. “O biodigestor é uma solução prática e econômica, contribuindo para a melhoria das condições sanitárias, o aumento da produtividade e a sustentabilidade das pequenas propriedades familiares. Entre as metas do projeto estão a redução, em até 15%, dos custos de produção, e a redução, em 12%, do tempo de animais disponíveis para abate, pela melhoria nas condições sanitárias”.

CENÁRIO

De acordo com o IBGE, o rebanho de suínos em Pernambuco era de 160.532 cabeças em 2024, sendo São Bento do Una o município com maior produção. A cadeia da suinocultura no Agreste Meridional é ainda uma subatividade complementar à bovinocultura de leite e requer aperfeiçoamento das práticas entre pequenos produtores.

De acordo com o Sebrae/PE, os desafios para o desenvolvimento da suinocultura em Pernambuco envolvem a melhor compreensão dos custos de produção e dos potenciais de expansão da atividade; a aplicação técnica adequada no manejo reprodutivo, sanitário e alimentar; e o baixo investimento na sustentabilidade ambiental, especialmente na gestão de resíduos. Além, claro, da busca por novos mercados consumidores.