ASN PE
Compartilhe

Cooperativa de produtores de uva do Vale do São Francisco amplia competitividade com apoio do Sebrae

CoopexVale participa do programa Conexões Corporativas para conquistar certificações e fortalecer atuação nos mercados nacional e internacional
Por Samuel Santos
ASN PE
Compartilhe

A fruticultura irrigada fez do Vale do São Francisco um dos principais polos do agronegócio brasileiro e uma referência nacional e internacional na produção de uvas. Em Petrolina, no Sertão pernambucano, a Cooperativa de Produtores Exportadores do Vale do São Francisco (CoopexVale), que soma mais de 20 anos de atuação, representa essa trajetória de sucesso. Agora, os produtores que integram a cooperativa estão dando um novo passo rumo ao fortalecimento de sua competitividade e à ampliação de sua presença em mercados cada vez mais exigentes.

Esse movimento ocorre por meio da participação dos empreendedores no programa Conexões Corporativas, do Sebrae Pernambuco. Baseado no conceito de encadeamento produtivo, o programa conecta competitividade, inovação e sustentabilidade para preparar fornecedores e produtores para atender aos padrões exigidos por empresas âncoras e ampliar sua inserção em novos mercados.

A parceria busca preparar os cooperados para atender às exigências dos mercados nacional e internacional por meio da certificação das propriedades rurais, elevando os níveis de competitividade e sustentabilidade da produção. Nosso objetivo é fortalecer os pequenos negócios rurais e tornar toda a cadeia produtiva mais eficiente, inclusiva e competitiva, gerando benefícios tanto para os produtores quanto para a cooperativa

Jussara Leite, gestora estadual de projetos de Agronegócios do Sebrae Pernambuco.

Com duração prevista de um ano, até janeiro de 2027, o projeto atende atualmente 21 propriedades produtoras de uva. Os cooperados recebem consultorias especializadas para obtenção de certificações internacionais, como SMETA, GlobalG.A.P. e GRASP, reconhecidas por atestar boas práticas agrícolas, responsabilidade socioambiental e segurança alimentar.

Além da preparação para as certificações, o programa oferece consultorias em metrologia, análises de água e de resíduos, assegurando que a produção esteja em conformidade com os rigorosos padrões internacionais de qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade. Essas exigências são fundamentais para ampliar a participação da cooperativa em mercados estratégicos, especialmente na Europa.

Cooperativismo que gera desenvolvimento

Apesar desse passo recente, a história de sucesso da CoopexVale começou em 2004, quando produtores de uva de Petrolina uniram forças para ganhar escala, fortalecer a comercialização e ampliar oportunidades de mercado. Nascia, assim, a mais antiga cooperativa de viticultores do Vale do São Francisco. Hoje, a cooperativa reúne cerca de 40 produtores, que cultivam aproximadamente 630 hectares de uvas de alta qualidade destinadas ao mercado brasileiro e à exportação.

O crescimento foi rápido. Em apenas um ano de existência, a cooperativa realizou as primeiras exportações. Em 2007, adquiriu sua primeira câmara fria, ampliando a capacidade de armazenamento e comercialização. Poucos anos depois, já estava consolidada no mercado internacional e passou a investir fortemente também no mercado interno.

Graças ao aprimoramento genético das variedades cultivadas, todas comercializadas sem sementes, as marcas Uvas do Campo, Gota de Mel e Doçura do Vale, todas com o selo CoopexVale, conquistaram espaço nas principais redes varejistas do país. Atualmente, a cooperativa produz cerca de 22 milhões de quilos de uvas por ano, alcançando um faturamento anual em torno de R$ 300 milhões. Curiosamente, a maior parte da produção destinada ao mercado nacional segue para as regiões Sudeste e Sul.

Hoje, nossos principais clientes estão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O Nordeste é a região que menos consome nossa produção. Entre 65% e 80% das uvas permanecem no mercado brasileiro. No exterior, exportamos principalmente para Estados Unidos, Europa e Canadá.

Álvaro Solano, presidente da CoopexVale

Como toda atividade voltada ao comércio internacional, o setor enfrenta desafios relacionados às oscilações econômicas e às mudanças no cenário global. Durante o “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos no ano passado, por exemplo, a cooperativa ampliou sua atuação no mercado interno e fortaleceu as exportações para a Europa, estratégia que ajudou a manter o equilíbrio das operações.

Para Solano, a parceria com o Sebrae representa mais um passo na preparação da cooperativa para um mercado cada vez mais exigente. “Estamos aperfeiçoando processos, buscando novas certificações e investindo continuamente em qualidade. Isso nos permite atender às exigências dos compradores internacionais, agregar valor ao produto e abrir novas oportunidades de mercado para os nossos cooperados”, conclui.