O afroempreendedorismo feminino na Região Metropolitana do Recife ganhou um importante impulso nesta quinta-feira (4). Durante o primeiro dia da Feira do Empreendedor, no Recife Expo Center, o Sebrae/PE lançou o programa Conexão Afro, parte das ações do Sebrae Delas.
O Conexão Afro foi criado para estimular a criação e fortalecer as atividades e o protagonismo tanto entre empreendedoras negras como aquelas que pensam em abrir o próprio negócio. Para isso, realizaremos ações específicas e continuadas e contaremos com a nossa rede de parceiros, que agregam mulheres numa comunidade de apoio.
Andréa Viana, gestora do Sebrae Delas na RMR.
A programação contou com uma palestra com a estrategista e produtora de eventos Karla Calazans e com Bárbara Mont’San, CEO do Grupo Una, mentora de negócios digitais e estrategista de Negócios T-Shaped. Elas abordaram questões como empreender com identidade, transformação de histórias pessoais em posicionamento de mercado e lucro, gestão empresarial e geração de renda.
Desafios
Outro destaque da abertura da Feira foi a palestra magna de Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora e do Instituto RME, vice-presidente do Pacto Global da ONU Brasil e presidente do W20, grupo sobre a pauta de mulheres do G20, fórum que reúne as maiores economias do mundo. No palco principal da Arena Impacto, ela falou sobre liderança feminina em ambientes de incerteza econômica.
O cenário mudou e continuará mudando. Os tempos são de instabilidade econômica crescente, mercado de trabalho em transformação acelerada e com novas tecnologias redesenhando profissões, além de crise climática, social e política como pano de fundo e incerteza como a única certeza. Mas os dados mostram que, em momentos de crise, o empreendedorismo feminino cresce porque as mulheres não esperam o mundo se resolver para agir.
Ana Fontes, empreendedora social.
Ela destacou que apesar dos muitos desafios, incluindo uma jornada de trabalho que é praticamente infinita, as mulheres estão modificando a economia do país. “Existem 24 milhões de empreendedoras no Brasil, que reinvestem 90% da renda na família e na comunidade. Empresas com liderança feminina têm até 20% mais lucratividade e já representam 50% dos pequenos negócios. Quando as mulheres têm oportunidade, elas não só crescem, mas transformam tudo ao redor”, afirmou.
Ana ainda listou decisões que devem ser adotadas pelas mulheres empreendedoras. “Pare de esperar estar pronta e comece, reconheça a liderança que existe dentro de você, construa sua rede considerando que crescimento coletivo é mais sólido, nomeie suas barreiras para superá-las e acredite no impacto”, detalhou.
A empreendedora reforçou que não é uma “mulher maravilha”, nem perfeita ou multitarefa. “Isso é uma coisa que a sociedade colocou sobre nós. Somos mulheres possíveis. Outro dia, me falaram que eu era guerreira. Respondi que sou uma mulher cansada e é importante termos consciência disso”, apontou.
Ela também enfatizou a importância do autocuidado e lembrou que ele está longe de ser cuidar da casa, do companheiro e da família. E deixou uma mensagem de incentivo às participantes da Feira. “Você nasceu para ocupar espaço. Não precisa pedir licença para existir. O mundo necessita da sua liderança, especialmente agora”, completou.

